Foi um abre olhos, até para mim!
O Rio Ave não está assim tão forte como parecia e a verdade é que os sinais eram claros. A equipa conquistou duas vitórias arrancadas de erros adversários e de contra-ataques. Quando se sonhava ter um Rio Ave com ritmo de vitória à imagem do Paços da época passada, eis que acontece este desaire.
Nem tudo está perdido, não passamos de Bestiais a Bestas, mas a imagem que deixamos em Arouca foi muito pobre e diria que perdemos uma boa oportunidade de fazer 3 pontos. Na época passada ficamos precisamente a 3 pontos da Europa.
Nesta altura recuso-me a pensar pequeno. Numa altura em que o Rio Ave apresenta contas muito sólidas, numa altura em que o clube apresenta um nível exibicional interessante no contexto global do campeonato e numa altura em que algumas das equipas mais fortes estão em queda, resta ao Rio Ave tentar assaltar o seu estatuto no campeonato.
O Rio Ave entrou igual a si próprio, mantendo o mesmo onze habitual. Nuno não mexeu nada, não tentou fazer nada diferente nem quis dar uma hipótese a ninguém, mas "em equipa que ganha não se mexe" e por isso não podemos culpar Nuno. Por isso o mister apresentou mais uma vez:
Diego Lopes substituído por Del Valle aos 72min
Hassan substituído por Sandro Lima aos 84min
Ukra substituído por Roderick aos 89min
Não há muito para se dizer de um jogo em que claramente foi o Arouca a equipa mais forte. Cedo deu para perceber, pelo relato que Paulo Vidal nos trazia, que o Rio Ave não estava num dia sim. Eu sentia que a qualquer momento o Golo do Arouca podia chegar, pois o Rio Ave parecia limitado às vagas ocasiões de contra ataque que o adversário permitia.
Eu tinha a sensação que o Golo do Arouca ia chegar tais eram as repetidas vezes que ouvia "defesa de Salin" e por um lado queria que esse Golo viesse o mais cedo possível para o Rio Ave ainda ter tempo de reagir. O Rio Ave não ripostou e infelizmente pagou da pior forma. Para além de sofrer Golo, sofreu-o já no fim do jogo ficando sem qualquer hipótese.
Aos vermos o resumo vemos que fomos uma equipa enixistente em campo. No entanto a comunicação do Rio Ave quis deixar a imagem de que o clima foi um dos grandes adversários - O jogo que opôs o Rio Ave FC ao FC Arouca começou debaixo de um calor intenso que baixou o rendimento das equipas e beneficiou a equipa da casa, que assumiu uma postura mais defensiva e conseguiu assim quebrar o ritmo de jogo.- mas a mim pareceu-me que foi o Rio Ave o seu próprio adversário.
Nuno foi demasiado rígido. Por um lado entendo que Nuno também tenha percebido que o Arouca estava por cima e que podia fazer o Golo. Ao ver a incapacidade do Rio Ave tentou segurar o jogo e esperar que num bom lance individual da nossa parte até pudesse sair a vitória. Por outro lado Nuno podia e devia ter mudado qualquer coisa. Eu não sei se o ataque é a melhor defesa, mas parece-me que um Rio Ave mais afoito encostava facilmente o Arouca às cordas. Podia ter apostado num 4-4-2, com Sandro Lima e Hassan potenciando o jogo aéreo. Também me pareceu que Edimar não estava a atinar com Pintassilgo e um Tiago Pinto no lugar de Braga podia ter trazido outra consistência (parece-me que sós estes dois jogadores são capazes de ser médios e extremos num só jogo dando a tal agilidade ao sistema táctico).
Nuno mostrou pouca agilidade no banco, pouca criatividade e isso custou-lhe a derrota. Certamente ele também saberá disso e agora tivesse feito as coisas diferentes, mas Nuno Espírito Santo tem que rever uma situação: Não é só quando se está a perder que se deve mexer cedo na equipa!
E Nuno só não estava a perder porque a cabeçada de Roberto aos 43min da primeira parte esbarrou no poste. O Rio Ave estava a perder, a perder claramente o controlo do jogo.
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