Ainda não tinha
falado deste jantar, não por não ter gostado, mas sim por não saber o que lhe
destacar. Foi uma noite rica de histórias de um homem com 10 anos de casa, que
vestiu a nossa camisola em várias competições e memórias de rioavistas que
conseguiram levar quem nunca lá foi ao Estádio da Avenida.
Ainda pensei se o
Evandro me levaria a mal partilhar esta confidencia, mas penso que não. Eu
fiquei muito triste ao ver um jogador com tantos anos de casa, um jogador que
leva o Rio Ave no seu coração (bastou um jantar para ver que é mais rioavista
que outros que vão aos jogos – ele veste sempre a nossa camisola), senti-me
envergonhado ao ver que esse jogador,
que conseguiu ser o 3º melhor marcador na primeira divisão se sentiu um velho bibelô,
por vezes sentiu-se invisível. Evandro desabafou que os jogadores passavam por
ele como se nada fosse (mas muitos são novos e de fora, podiam não estar
atentos ao Rio Ave), mas quando alguém perguntou se ninguém na direcção lhes
puxou as orelhas a resposta foi não. Evandro é um dos jogadores que está mais
ligado a esta última grande impulsão do Rio Ave, desde a 2ª divisão à
estabilização na primeira e entre outros, marcou aquele Golo de Santa Maria da
Feira.
É verdade que
Evandro foi bem recebido com a entrega da camisola, com o vídeo dos Golos a
passar no estádio, também parece que lhe arranjaram um cd com muitos dos Golos que
ele marcou com a nossa camisola e certamente o Evandro está grato por isso.
Ainda assim penso que podíamos ter sido um anfitrião melhor, até porque o
jogador se encontrava em Portugal para tentar o seu futuro, longe do Brasil, da
mulher e dos filhos em vésperas de Natal.
Evandro também o
sentiu e todos nós o sentimos. Os mais velhos ainda sentem mais, mas chegamos à
conclusão de que isso se deve a vários factores:
1- Os adeptos vão ver a equipa perder.
2- Há menos rioavistas de gema. Os filhos fugiram aos avós e
os netos estão a seguir as pisadas dos pais e agarram-se às grandes vitórias
dos “grandes” clubes. Mas isso muito se deve à sociedade que temos, onde os jornais
só vêem três clubes e onde até a Tv pública, que devia ser imparcial faz
programas no cabo, iguais a todos os concorrentes, onde continuam a ver só os
“3 grandes” e os 3 clubes que os defrontam.
3- O próprio clube está mais técnico e se isso construiu
coisas boas e nos trouxe evolução também tirou do mesmo muito amor rioavista.
Faltará rioavismo nos corredores do Clube? Há rioavismo para dar e vender, só
não o conseguem passar para a bancada. (no último jogo de futsal frente ao Sporting
chegou a estar um silêncio ensurdecedor no pavilhão. Vale a pena apoiar uma
claque assim?)
4- Falta uma claque jovem com mais sangue na guelra?!
André,
quais são as diferenças entre a luta pela subida de divisão e a actualidade?
Portas abertas, Vitórias, ânsia de levar Vila do Conde para a 1ª divisão e uma
claque grande.

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