E lá veio mais uma derrota caseira.
Não consigo ser tão drástico quanto outros adeptos. Talvez porque já há muito
me apercebi de que a jogada era apostar na Taça de Portugal e que todos os
desaires e vergonhas provocados pela gestão não tinham importância para quem
fez esta aposta. Há muito que me chateei por o Rio Ave perder em casa e deixar
fugir a Liga Europa via campeonato e ainda mais por ver a equipa a deixar fugir
recentemente os 8 primeiros lugares.
O Rio Ave continua nesta ideia e agora só nos resta apoiar e esperar o melhor.
O melhor que para mim não é uma vitória. Hoje em dia, tendo em conta os últimos
jogos que assisti ao vivo ou na televisão, já só peço ao Rio Ave uma exibição
digna, com uma equipa personalizada, com garra e querer e que não deixe margens
para dúvidas de que merecia tanto ou mais estar na final.
Na perspectiva de poupar as suas melhores armas para o jogo de quarta feira,
Nuno promoveu uma revolução no plantel. Assim lançou o seguinte 11:
Joeano
substituído por Sandro Lima aos 62 minutos
Ernest
substituído por Braga aos 72 minutos
Renato
Santos substituído por Pedro Santos aos 79 minutos
Quando vi a equipa em campo esperei de tudo e encarei logo o jogo como muitos:
um jogo de treino. Contudo até estava mais ou menos confiante sendo o meio
campo a minha maior reserva.
Penso que no final das contas foi por aí que correu mal. Todavia numa fase
inicial, por distracção não reparei que não havia lateral direito e com muita
surpresa vi Nelson Monte em estreia ser puxado para fora de posição. Se já a
fez, penso que já ficou á vista de todo que não é competente pois não tem
profundidade. E custa-me estar a criticar este jogador, pois tem enorme
qualidade e se ficar cá o tempo suficiente assumir-se-á como um dos grandes
centrais a passar pelo clube.
Também não gostei, nunca gosto de ver Vilas Boas a central. Não pelas suas características
defensivas, mas sim pelas ofensivas. O Rio Ave é uma equipa que gosta de trocar
a bola, chama os seus centrais a fazê-lo, até porque os adversários já o
começam a obrigar e no passe Vilas Boas é um jogador que trás pouca segurança,
ainda mais sobre pressão.
Por estes dois motivos eu teria arriscado ainda mais. Teria experimentado mais,
teria inventado diferente, mas desconfio que a equipa ficaria mais segura. O
que eu teria feito seria lançar Murilo (que também treinou com os seniores) na
esquerda e passado Tiago para a direita. Contudo esta opção estava fora de
questão porque o jogador não está inscrito. Diogo Neiva não é Ceitil e o último
também não está inscrito. Por isso teria que se dar 45min a Lionn e 45min a
Edimar, com Monte a fazer dupla com Roderick e Vilas Boas a passar para o meio
campo para dar segurança aqueles dois meninos.
Apesar de toda esta questão, volto a dizer que o problema foi o meio campo. Acreditando
que o 4-4-2 seria a melhor táctica para jogar em casa com o Olhanense, dois
jogadores como Júlio Alves e Luís Gustavo não podem fazer um meio campo a dois.
O primeiro pela longa paragem e o segundo por ainda não ter perdido o chip
Barça, são jogadores de baixa rotação, "lentos", que pensam, mastigam
e por vezes complicam muito. O desarme e o jogo aéreo não são a sua especialidade
e por isso alguém experiente como Vilas Boas fez falta. O Olhanense estava com
3 homens e a precisar de pontos como de pão para a boca.
No ataque penso que as coisas correram melhor:
-
Ernest, o melhor em campo a par de Velikonja. Confirmou o que lhe tinha visto
nos juniores e até fez mais do que o que eu tinha visto.
-
Velikonja marca, mostra a sua qualidade e não faz mais porque a equipa não lhe
deu mais trabalho. Estamos a falar de um jogador que custou o mesmo que um
orçamento do Rio Ave.
-
Renato perdeu a sua oportunidade, perdeu para Ernest e vejo muito complicada a
sua vida no Rio Ave no próximo ano. Acho que até está em final de contracto.
-
Joeano fez mais do mesmo, tem muita técnica de avançado, sabe onde colocar a
bola, mas infelizmente para nós o jogo anda mais rápido do que as suas
capacidades
O vídeo mostra tudo e muito bem. Ernes,
Gustavo e Velikonja tratam bem a bola e ela acaba dentro da baliza.
No primeiro sofrido há falha de Monte a meu ver, atrasou-se a fechar, mas é um
lance que o pode tornar melhor central pois ele viu o que acontece nas suas
costas quando não consegue interceptar o cruzamento.
No segundo sofrido, Roderick inventa, é tocado, o arbitro não marca e dá Golo.
Roderick não está nada isento de culpas, não despacha e não confia em Vilas
Boas (Monte esteve sempre tapado pelo adversário). Em sua defesa pode-se dizer
que nenhum dos médios baixou, nem em seu auxilio nem para equilibrar caso
acontecesse algo, (falha grave). Roderick não pensa em atrasar porque foi
naquele período do jogo que houve muitos calafrios entre defesa e GR. Também é provável que não atrase apenas e só porque gosta de jogar bonito.

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